A ideia da criação de uma
instituição que privilegiasse a cultura gaúcha surgiu entre 1995
e 1996, sendo concretizada através de um convênio entre o
governo federal e o estadual, em setembro de 1996. Ficou
acertado, nessa ocasião, que a sede dos Correios e Telégrafos
por quase um século, abrigaria um local de difusão de cultura e
memória rio-grandense. O acordo de cedência do prédio implicou
também a criação de um Museu Postal e uma Agência Filatélica.
O ato de criação deu-se pelo decreto estadual nº 39.9861.17 e a abertura ao público
ocorreu em 26 de junho de 2000.
O projeto de restauração foi
previamente aprovado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional), uma vez que o prédio foi
tombado em 1980.
O antigo prédio dos Correios e
Telégrafos foi totalmente revitalizado para abrigar a
Instituição. Surgiu, dessa forma, um centro de informação e
divulgação da história do Estado, reunindo objetos, mapas,
gravuras, fotos, livros, imagens iconográficas e depoimentos
importantes sobre os principais fatos ocorridos no Rio Grande do
Sul. O riquíssimo acervo está exposto através de uma concepção museográfica moderna, permitindo, assim, a integração com o
público e o fácil entendimento dos conteúdos.
Restauração
O prédio dos Correios, construído
entre 1910 e 1914, saiu da prancheta do arquiteto alemão Theo
Wiederspahn, responsável por várias construções em Porto Alegre
no começo do século.
Tombado, pelo IPHAN, em 1980, o imóvel passou, a
partir de 1998, por um criterioso processo de restauração,
que procurou preservar suas características originais e adequá-lo
para a instalação do Memorial.
O prédio foi totalmente recuperado
e suas fachadas receberam tratamento especial. Internamente,
seus espaços foram adaptados às novas funções museográficas, com
toda a infraestrutura necessária, como a climatização das áreas
destinadas ao Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e às Salas
do Tesouro.
Seus dois pátios internos,
anteriormente ocupados por cabines de força e geradores, foram
recuperados, ganhando claraboias e elevadores.
O prédio dos Correios e Telégrafos
A construção do prédio que abrigou
a sede dos Correios e Telégrafos foi iniciada em 30/09/1910 e
concluída em 31/12/1913. A execução do projeto foi confiada ao
engenheiro Rodolfo Ahrons e ao arquiteto Theodor Wiederspahn. O
estilo arquitetônico é marcado pela tendência às formas
abarrocadas.
A firma de Ahrons foi escolhida por
ser sólida e representar a comunidade alemã, que vinha constituindo-se em
relevante segmento econômico da sociedade
gaúcha. O Governo positivista julgava importante se aproximar
dela, pois representava uma forte aliada
política.
A decoração do prédio ficou sob a
responsabilidade da oficina de esculturas de João Vicente Friederichs que, a partir de então, se projetou na comunidade. O
Engenheiro Rodolfo Ahrons queria que as esculturas
privilegiassem uma linguagem mais familiar ao público,
reportando-o ao seu cotidiano.
O grupo principal de esculturas
pretendia evidenciar os serviços prestados pelos correios unindo
os continentes. Três figuras compõem este grupo: ao centro uma
figura masculina (Atlante) curvada pelo peso do Globo que
carrega nas costas; dos lados um mulher e um adolescente também
empenhados em levantar o globo. A figura feminina representa a
Europa e o adolescente a América.
Mais dois grupos de esculturas na
fachada evidenciam uma linha familiar: a mãe que enlaça o filho
com um braço
e com o outro segura uma carta (mostrando a dor da separação dos
imigrantes e a função doméstica da mulher como base da família).
A ideia de mostrar nas esculturas
as expectativas dos imigrantes agradava ao governo positivista.
Havia, nesse período, uma política de incentivo à imigração e
sua integração à economia colonial.